terça-feira, 17 de maio de 2011

Constelações - Caranguejo

Cancri (Cnc)


   Durante a luta do poderoso herói Hércules com a terrivel Hydra, o monstro de múltiplas cabeças, um caranguejo atacou o guerreiro, mas foi esmagado pelo pé de Hércules. Essa é a história da mitologia grega que faz com que o pequeno caranguejo seja representado por uma constelação no céu, acaso ou não, tão pequena é sua participação na história que a constelação é tambem a mais fraca das 13 constelações zodiacais.
   Popularmente conhecido como Cancer (vindo do latim), é uma constelação localizada no hemisfério norte celeste, com estrelas muito fracas e poucos objetos para serem vistos. Aparece no céu durante o verão e início de outono (hemisfério sul), entre as constelações de Gêmeos e Leão.

Estrelas principais
α Cnc: Acubens, magnitude: 4.25
classe espectral: A5
β Cnc: magnitude: 3.5
classe espectral: K4
γ Cnc: Asellus Borealis, magnitude: 4.65
classe espectral: A
δ Cnc: Asellus Australis, magnitude: 3.9
classe espectral: G8

i Cnc: magnitude: 4
classe espectral: G8


Objetos de Interesse:


Aglomerado do Presépio
NGC 2632 (M44)
Tipo: Aglomerado aberto 
Magnitude: 3.1
Dimensão: 95'
   Grande e brilhante, é um dos mais famosos aglomerados abertos, tambem conhecido como presépio ou colméia, é facilmente visto a olho nú e tem 25 estrelas de magnitude entre 6 e 8, entre muitas outras menos brilhantes. 


NGC 2682 (M68)
Tipo: Aglomerado aberto
Magnitude: 6.9
Dimensão: 29'
   Aglomerado menor e mais fraco do que M44, com cerca de 200 estrelas de magnitudes 10 a 14, sendo menos de 30 com magnitude menor que 12. Bem visto com telescópios a partir de 150mm.


NGC 2775
Tipo: Galáxia elíptica
Magnitude: 10.4   Brilho de superfície: 13.1
Dimensão: 4.3'x3.3'
   Pequena galáxia elíptica, dificilmente vista com telescópios menores que 100mm. Aparece como uma mancha elíptica contra o fundo escuro do espaço.



i Cnc - Estrela dupla com componentes de magnitude 4 e 6.75, sendo a mais brilhante uma amarelo-laranja e a outra branco-azul, facilmente separadas com 100x de aumento.
   

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Constelações - Mosca

Muscae  (Mus)

   A pequena constelação da mosca foi introduzida pelos astrônomos e navegadores holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Hountman, durante suas navegações pelos mares austrais no fim do séc.XVI.
   Apesar de não muito brilhante e pequena ela é facilmente notada por estar logo abaixo da constelação de Cruzeiro do Sul, mais brilhante e chamativa. Mosca localiza-se na borda da faixa da Via Láctea no céu, uma região muito rica em estrelas e aglomerados. Nessa constelação há poucas coisas para se observar, mas se for vista em conjunto com suas vizinhas Centauro, Quilha e Cruzeiro do Sul ela parece tornar parte desse grande espetáculo!

Estrelas principais
α Mus, magnitude: 2.65
classe espectral: B2β Mus, magnitude: 3.5 
classe espectral: B
γ Mus, magnitude: 3.8
classe espectral: B5
δ Mus, magnitude: 3.6 
classe espectral: K2
ε Mus, magnitude: 4.05 
classe espectral: M5


Objetos de interesse


NGC 4833
Tipo: Aglomerado globular
Magnitude: 7.0
Dimensão: 13.5'
   Pequeno e de brilho moderado é melhor visto em locais sem poluição, sendo visível até com binóculos. Fácil de localizar a menos de 1º de δ Mus e ao lado de uma estrela de magnitude 8.75.


NGC 4372
Tipo: Aglomerado globular
Magnitude: 7.3
Dimensão: 18.6'
   Aglomerado maior e menos brilhante do que NGC 4833, necessita de no mínimo 70mm de abertura e um lugar livre de poluição para ser bem visto. Fica ao lado de HIP60561 de magnitude 6.6


NGC 5189
Tipo: Nebulosa planetária
Magnitude: 10.3,  Brilho de superfície:11.3
Dimensão: 140''
   Pequena, mas relativamente brilhante. Sua forma peculiar torna ela um pouco mais difícil de ser observada. É melhor vista com aberturas a partir de 150mm.
   Na foto ao lado, a nebulosa como é vista através de um telescópio de tamanho grande e no canto uma fotografia feita por telescópios de grandes observatórios.


Mosca está abaixo do asterismo de Cruzeiro do Sul,
 junto com sua vizinhança de constelações.
β Mus - Estrela dupla com uma separação angular muito estreita, tornando-a muito difícil de ser separada, até mesmo por telescópios grandes. São duas azuis de magnitude 3.5 e 3.8
δ Mus - Dupla não relacionada de estrelas, com um belíssimo contraste entre uma gigante laranja de magnitude 3.6 e uma azul de magnitude 7.3. Tem outra estrela branca-azul de magnitude 6.0 próxima à dupla. São visíveis com aumentos acima de 50x

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Conjunção de planetas - 09/05/2011

   Esta manhã, levantei 5:20h por um motivo especial: Observar a conjunção entre alguns planetas, que está acontecendo durante esse mês.
   Devido ao mal tempo aqui em São Paulo eu ainda não tinha conseguido ver esse belo espetáculo, mas hoje o tempo colaborou e eu pude ver e fotografar a conjunção.
   Eu anunciei essa conjunção tambem na seção das Efemérides, onde é possível ver tambem a tabela para as aproximações entre os planetas para as próximas semanas, com algumas ilustrações simuladas no programa planetário Stellarium.
   Na foto abaixo usei o zoom da câmera para pegar somente a região onde estavam os planetas, pela fotografia parece até que eles estão de fato próximos um ao outro, mas é somente devido à nossa perspectiva de visão. Aqui vão alguns dados deles:



Vênus - Magnitude visual: -3.79
             Distância da Terra: 221.472.000 Km
Júpiter - Magnitude visual: - 1.92
             Distância da Terra: 877.926.000 Km
Mercúrio - Magnitude visual: 0.49
              Distância da Terra: 128.334.000 Km
Marte - Magnitude visual: 1.27
             Distância da Terra: 347.091.000 Km



   Para observar esse evento não é necessário auxilio de nenhum instrumento ótico, a menos que deseje ver algum planeta em detalhes.
   Conforme os dias forem passando a posição dos planetas mudará, devido aos seus movimentos de translação e pelo próprio movimento da Terra, mas vale a pena acordar cedo para ver.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Observações - NGC 6475 (M7)

Constelação: Escorpião
Tipo: Aglomerado Aberto
Magnitude: 3.3
Dimensão: 80'


M7
   Observo esse aglomerado sempre que monto o telescópio, ele é uma "parada obrigatória" para as observações de outono e inverno, período em que escorpião fica visível aqui no hemisfério sul.
   O aglomerado recebe tambem o nome de Ptolomeu, e é fantástico! Contei cerca de 60 estrelas, isso que estou fazendo as anotações em São Paulo, região extremamente castigada pela poluição atmosférica. Em locais sem poluição a visão deve ser deslumbrante. Das cerca de 60 estrelas, 23 são mais brilhantes, com magnitudes variando de 6 a 8. É concertesa um dos melhores aglomerados para se ver com um binóculos, devido ao grande numero de estrelas de magnitude baixa.

   Sua localização é muito fácil, fica do lado do "ferrão do escorpião", mais próxima a estrela HIP 87261 de magnitude 3.15. Fica muito próximo a outro belo aglomerado, M6 ou NGC 6405 o aglomerado da borboleta (veja na foto abaixo).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Via Láctea

Representação artística da Via Láctea
e seus braços espirais
   Imagine ter que descrever como uma casa é, estando dentro dela. Você só vê sua estrutura interna, mas como saber como ela realmente é por fora ? Essa foi por muito tempo uma pergunta que motivou muitos estudos na astronomia, estudar a forma de nossa própria galáxia. Hoje sabemos que a Via Láctea é uma enorme galáxia espiral com uma barra no seu núcleo, e seu diâmetro é de aproximadamente 100 mil anos-luz, ou seja, aproximadamente 946 quatrilhões de km, e cerca de 30 mil anos luz de altura, ou 283,8 quatrilhões de km.
   Chamamos ela de Via Láctea devido a forma que ela aparece no céu, como um caminho esbranquiçado, como se tivesse sido derramado leite no céu, e pode ser facilmente vista em um lugar sem poluição, é fácil perceber algumas partes com brilho mais intenso, e até alguns aglomerados e nebulosas, dependendo do lugar de observação.
   Quando Galileu Galilei, no sec. XVII apontou pela primeira vez um telescópio para aquela mancha no céu ele percebeu que se tratava da luz de milhares de estrelas que não eram vistas a olho nú. O número de estrelas da nossa galáxia é muito impreciso, mas calcula-se que sejam mais de 200 bilhões, desse total somente cerca de 6 mil são visíveis a olho nú, mas basta apontar um pequeno binóculo para o céu e percebemos muito mais estrelas do que conseguimos ver sem ele.
   Segundo estudos, a Via Láctea é uma galáxia espiral barrada com quatro braços principais: Perseus, Norma, Scutum-Crux e Carina-Sagittarius, e pelo menos dois braços menores, um deles é o braço de Órion, onde está localizado o sistema solar.
   Assim como as outras galáxias espirais barradas, a Via Láctea tem uma forma achatada, como um disco, e seu núcleo está no centro, onde pode haver um buraco negro supermassivo com massa equivalente a de 4 milhões de sois, que tem força gravitacional suficiente para manter toda a estrutura da galáxia unida, girando ao seu redor. Por causa da forma da galáxia e da nossa localização, vemos a galáxia em perfil, seus braços não são visíveis pois estão passando um por trás do outro, e há uma quantidade muito maior de aglomerados e nebulosas na região por onde passa o "rastro" da Via Láctea, o núcleo é uma região com muita poeira e nebulosas e fica na direção da constelação de Sagitário.
Fotografia de alta exposição mostrando uma visão panorâmica do
caminho da Via Láctea no céu, à esquerda as duas galáxias satélites,
PNM e GNM, e à direita pode-se ver a Gigante galáxia de Andrômeda,
nossa vizinha mais próxima a 2,5 milhões de anos-luz.
   No halo (região ao redor da galáxia) se encontram vários aglomerados globulares que são como satélites da Via Láctea, e tambem duas galáxias irregulares pequenas, a Grande Nuvem de Magalhães (GNM) e a Pequena Nuvem de Magalhães (PNM), que podem ser vistas como uma mancha desprendida na faixa da Via Láctea.